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Rendo-me à
Saudade!
SoniaR.M.Carrato
Saudade... a você eu me rendo!
Como um náufrago cansado de contra
as águas revoltas lutar,
deixo-me afogar!
Por que tinha eu de desafiar-te?
Subestimei-te, talvez....
Não acreditei na tua força,
julguei-me muito mais poderosa e
apenas por capricho, só para provar
que podia, cutuquei aquela ferida...
e veja quanta audácia!... uma ferida
que ainda sangrava!...
Revivi momentos ainda tão presentes,
reli aquelas cartas com datas
tão recentes...
Foi muita temeridade, eu sei...
Desatei em amargo pranto... mas
continuei!... mergulhei naqueles
versos, que continham toda história
de um amor desmedido, incontido...
atirei-me de cabeça... abracei-me
a eles sem dar ouvidos à sensatez!
Foi mesmo estupidez, hoje eu sei...
versos que contavam o furor de
uma paixão... que deixavam jorrar
a dor da imposta separação e a
alegria do amor desabrochado...
versos que falavam de um castelo
encantado, que abrigava um
sonho desmesurado,
versos de um coração apaixonado,
que a mim foram ofertados...
versos que me fizeram enlouquecer
e quase de amor morrer!
Pois é, minha saudade... eu queria o que?
Achar que podia mais que você?
01/2003

Imagem
Original by MartinTinkhauser
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