São tantas mulheres que passam na rua. 
Mulheres dos dias e das noites sem lua; 
Mulheres que agitam o meu coração 
E outras mulheres que simplesmente passam. 

Não sei se essas mulheres trazem mágoas guardadas 
E escondem vestígios de loucuras passadas; 
Ou, quem sabe, ainda se encantam com flores 
E podem oferecer verdadeiros amores. 

Mas sei que essas bocas, que aspiram prazeres 
E se perdem na vida com suas mulheres, 
Exibem tantas marcas de sonhos distantes. 
São bocas tatuadas por beijos inconstantes... 

E assim, tantos desejos tornam-se reprimidos, 
Causando insaciáveis olhares escondidos. 
Mas são poucos os olhares de ternura infinda 
Para tantas mulheres que passam na vida... 

*(Poema do Livro ESTIGMAS DO TEMPO)

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