Os quatro elementos de mim

Rosy Beltrão



Como alma da águia
voa, mesmo que reclusa.
Abusa dos sonhos
cria em imagens, sentimentos.
Como ser abissal,
entre misteriosa e enigmática vontade,
Impulsiona-me a desejar
estar submersa na imensidão do mar,
que, mesmo sem água, sobrevive,
longe de sua natural morada.
Poupando o ar para submergir
na primeira oportunidade.
Como chama ardente,
que não se apaga,
mesmo entre cinzas,
guarda sua força,
para com intensidade
crepitar e mostrar seu ardor.
Como andarilho,
que mesmo sem fôlego,
vislumbra o caminho adiante,
entreve o espaço, o fluído astral
o calor da chama
que dentro de si incandesce.
E a força gravitacional
que me acorrenta a terra,
entre o céu e o mar
não são capazes de colocar grilhões
aos anseios da minh´alma.
Que por diversos caminhos passa
entre torrenciais tempestades
e infinitas calmarias,
mesmo que trôpega,
hesitante,
debilitada e exausta
da caminhada monótona e diária,
à beira do desfalecimento:
supera-se!
Como vulcão a surgir das profundezas
do meu ser,
sem razão ou porquê:
Voa, submerge, caminha, arde!
Tendo como destino e porto seguro
encontrar ao que veio buscar. 



06/02/02
11:27 PM

 

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