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O vento sopra aos nossos ouvidos
Os sons que ouvimos em silêncio
Palavras pronunciadas ao infinito
Indiferentes às imagens que os olhos contemplam
Ilumina os meus passos o farol do teu olhar
Percorro os caminhos em busca de nós
Busco os seixos... Murmúrios de ti
Palavras caídas, esquecidas ao relento da tua primavera
Eis que parecem encerradas latentes num livro mágico
Colo em sílabas os sentidos outrora imersos
Na penumbra, ilumino em sorrisos o teu pensar
Entendes aos poucos meus códigos
Descubro os teus nãos, os teus sins, soletro teu mutismo
Nuvens assombram meu semblante,
Quando enrugo meu olhar a pensar
Nas muitas vezes que atropelei as idéias
A paciência que me faltava em horas outras
Quando ausente de ti tudo escurecia ao meu redor
Desmaiava a esperança momentaneamente
Por alguns momentos sucumbia diante de traquinas Incertezas
E tua voz, de um "canyon" qualquer, ecoava
Ao ouvi-la renascia, feito dia, após longa noite de chuva
As paisagens de éden desenham-se ao redor de mim
Sintonizo-me ao teu momento na mais inacreditável harmonia
Encosto-me em teu peito e meu ouvido a escutar teu coração
Irradia meu corpo desta soberba energia
E sons melodiosos de nós, pura orquestração de melodias nossas
Ecoam nos campos em que tu vislumbras o meu enlevo
Nas imagens de teus pensamentos serenos campos oscilam ao vento
E no balanço das folhas tremo tal qual gotas de orvalhos em flores esquecidas
Tuas próprias sensações arrepiam-me a pele
Meu peito aperta ao perceber tuas saudades de mim
Estendo a mão, em transe atendo teu mudo chamado
E imagino teu olhar vazio da imagem concreta a tua frente
Mas sei que pleno de mim estás
E é minha a imagem tatuada em teu coração
E assim percebo finalmente que no espelho de tua alma contemplas meu reflexo
Sorrimos entrelaçados na intimidade desta mútua cumplicidade
E encerro meu olhar confiante neste sonho intransigente de te amar urgentemente...
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