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De passagem a saudade

 

Clivânia Teixeira

 

 




A aparente tranqüilidade
Beira o tédio das ações
Que se aglutinam
Nada é indiferente aos ouvidos
E mesmo assim desconsidero o presente
E relembro as histórias de crianças
Dos terrores que assustavam a noite
Do que imaginava ser adulto
E nunca fui capaz de premeditar
O que hoje seria se não fosse
Aquela inocência que tanto brincou
Na incerteza onde o caos não passava
De uma grande aventura premeditada
Desapercebida de perigo
Restou-me a nostalgia
Esta ausência de caos infantil
Sobrou-me esse estranho vazio
Que paira nos membros inertes
Esta penumbra de intimo
Onde o tempo já nada diz
Sinto uma vontade de chorar
Mas não sei bem porque
A mesma que logo em seguida
Sonha com o torpor do sono
A mesma que invoca
O sonho que engana a mente
E reverencio de um cansaço
A saudade do único ser que respiro
Para além de mim
Envolto de veludo e sal

 

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