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O que faço com as lembranças dos chicotes que marcaram minha pele até o sangue derramar ?
Trago nos pés todos estes grilhões pesados marcados pela ignorância e arrogância que parecem tatuados na raça para sempre.
Quantos de vós preocupastes com isto ?
Quantos de vós escondestes os olhos para um mundo que dominava outro e
que caçava vossos iguais , tombando-os em navios fétidos e miseráveis ?
Quantos de nós fomos lançados ao mar ainda com vida a servir de comida para os seres marítimos?
Quantos de nós fomos abandonados em terras estranhas a sucumbir de doença e de solidão ?
Quantos de nós fomos separados de nossos familiares e nos tornamos ninguém ?
Olhem a minha cor e deixem que ela embranqueça vossas mentes que estão culpadas e danificadas pelo remorso.
Escutem meu coração e vejam se ele pode deixar de ter medo um dia sequer ?
Observem meus descendentes e vejam se o que restou para eles depois da pseudoliberdade foi esperança , renovação e igualdade ?
Respondam, se possuem a coragem de um negro fujão.
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