O concerto terminou no fim da noite
E a orquestra retirava-se complacente,
Sob aplausos inflamados, gritos , bravo !
Quando um seco surdo surge ao som do nada :


Cavaquinho a dedilhar sozinho,
Violino desafinado range.
A cuíca dispara o fino tom cansado
A flauta-doce aspira forte, afogada.

O clarim espirra um som quase agitado.
O prato se comove e toca baixo,
Alto fica o triângulo aguçado

E o piano arranha um dó desajeitado.

A soprano se debate de emoção
Ao ouvir a própria voz na imensidão.
A batuta do maestro vai ao espaço
E no compasso fere o ar como um chicote.

Os ouvintes inflamados gritam oh!!!
A ribalta se ilumina de vermelho.
A cortina desce rápida e frenética
Encerrando a visão do inusitado !

Na coxia há um clima de mistério,
Partituras sem as notas desfalecem .
Diapasão gritando desesperado,
Ré mi fá sol lá si dó a própria sorte !

De repente, as trevas tremem e anunciam :
-Morreu a música !!!!
Nasceu o funk !
Troquemos o teatro pelo bonde !

Percussão ...espanca o coração.
Instrumentos retiram-se feito egressos.
Vai-se o palco , fantasia..
Ilusão.

Mas um vento sopra firme , redentor !
Eflúvio sutil de música... dos mestres !
Anjo puro , esbelto , a rigor
Com audácia, canta um hino de amor :

- Maestro toma já o seu lugar !
Que a orquestra vai voltar e vai tocar !





 

 

 

 

 

 

 

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