A boca que fala é a mesma que cala.
A mesma matraca que atira e mata.
Que fala macio e toca os sentidos.
Que encanta os amantes e provoca arrepios.

Da boca da mãe é que sai o castigo.
Também sai o som que conforta e anima.
Da boca do pai é que sai o incentivo.
Os gritos de alerta sem coro e sem rima.

A boca tem dentes que enfeitam o sorriso,
Tem charme, tem cheiro que dispertam a libido.
Umas são feias. Outras são belas.
Mas todas são bocas que as vezes esguelam.

A boca que busca palavras certeiras.
É a boca frustra dizendo besteiras.
A boca maldita que as vezes esbraveja.
É a boca poetica que versa e beija.

(08/2000)

 

 

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