Do barro a Baco, borbulhante
vinho tinto, vermelho;
água, prata brilhante;
reflete o rio, como espelho,
as lágrimas de meu semblante;
a lava de um vulcão,
as idéias em minha mente, 
os profundos sentimentos
fechados em meu coração !


É como cidade-perdida ...
é como um beco sem saída !...
Como um poço sem fundo,
como o início do Mundo !...
Uma estranha sensação
de abandono e solidão ...


Saudosa de seu senhor,
necessitando de seu calor,
carente de seu carinho,
deixa correr o vinho
que mancha o linho

e exala odor ...
e, bêbada de amor,
caminha,
sozinha,
a esperança perdida,
esvaziando-se-lhe a vida,
ardendo em seu desejo,
ansiando pelo ensejo
do sabor de um só beijo ...


Expele a alma em ais,
o senso e a razão repele ...
Estremece ...
... Fenece ...
Cai.

Desce o pano da fantasia,
já que achara, a Colombina,
a mistura que fascina,
o ideal do amor:
- um pouco de arlequim,
um tanto de pierrô -
um homem sem igual,
que é de si mesmo rival,
terminando, assim,
a eterna trilogia:
Pierrô, Arlequim e Colombina !

 

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