Saberão os herdeiros do novo tempo 
suar de angústia 
chorar de ternura 
tocar olhando 
dizer calando? 


Poderão os inquilinos do ano novo
morrer de amor e renascer 
pedir perdão por não saber 
tender a mão sem exigir 
gritar verdades sem temor? 


Verá o amanhã entrante 
que herda carícias impotentes 
promessas incumpridas 
mentiras verdadeiras 
e instantes decisivos? 


Quererão os dias futuros 
escancarar a porta à esperança 
ler o testamento do passado 
e entender, e entender, e entender?... 


Já saberemos quanto saberá o futuro 
já veremos o que dirão seus anos 
o que farão seus filhos 
e suas máquinas 
e seus líderes 
e suas bombas 
e seus hinos. 


Já teremos tempo de saber 
se o que sabe tem gosto de esperança 
se o que diz ensina o caminho 
se o que oferece vale o seu preço. 


As respostas virão cravadas 
no horizonte cibernético 
no firmamento internáutico 
na ignorância terapêutica 
ocultando o essencial 
do vital 
do letal 
do fatal. 


Veremos o que queiram? 
Faremos o que digam? 
Seremos migalhas sobrantes 
sobre a toalha do tempo?... 





 Suécia, Natal de 2001

 

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